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sábado, 29 de julho de 2017

A crise hídrica em Montes Claros

Por Cibele Nunes Alencar, servidora do TRE.

Quem mora em Montes Claros já se acostumou ou tenta se acostumar com o racionamento de água. Entende que a crise vem da estiagem, mas não dimensiona quanto dela se deve ao descaso no trato com os recursos hídricos. Enquanto a população aguenta o infortúnio, uma proposta insólita da Copasa é apresentada e uma denúncia chocante vira notícia na imprensa.

Em audiência pública realizada no dia 05 de julho, a Copasa tentou convencer a população de que a solução para a escassez de água em Montes Claros e região é a retirada de mais água de outro rio! Para tanto, projeta uma obra que custará no mínimo R$135 milhões para captar água do convalescente Rio Pacuí. Estranhamente, a estatal mineira não suscitou como melhor solução a revisão de outorgas junto ao IGAM – Instituto Mineiro de Gestão de Água, e uma política de racionamento também para grandes consumidores, como indústrias e grandes irrigantes.

No dia 15 de julho de 2017, o Gazeta Norte Mineira noticiou a manchete: “MP quer suspender outorga para reflorestadora”. A reflorestadora em questão é a Plantar.

Segundo a reportagem, a empresa tem uma outorga de captação de água do Rio Saracura 15 (quinze!) vezes maior que a outorga que a Copasa tem para abastecer a cidade de Montes Claros. Nota-se que o problema não é bem São Pedro…

 Sugiro que os norte-mineiros se comprometam com a realidade e questionem à empresa Reflorestadora Plantar, ao IGAM, à Superintendência Regional de Meio Ambiente, à Copasa e ao Ministério Público se é possível economizar ainda mais água e revitalizar rios, antes de se começar a pensar em fazer uma obra dispendiosa, temerária, paliativa no primeiro momento, mas bastante comprometedora do recurso hídrico para as gerações futuras.

A fé pública e a crise hídrica de Montes Claros

A água brota pura e formaria um rio caudaloso não fosse uma barragem bem pertinho da nascente. Alguém poderia achar isso muito errado, já que rio foi feito para correr… Mas o costume de tirar flor bonita do pé, mesmo que para morrer feia num vaso, era tão normal… como o de prender passarinho alegre em depressiva gaiola… que barragem na nascente não assustava tanto.

Como nossos hábitos, coisa errada também caberia fácil num documento chamado Outorga de direito de uso ou interferência de recursos hídricos. Acreditamos pela lei e pela burocracia que uma folha de papel tem o poder de mover não só montanhas, mas tudo que existe. Paradoxalmente, por essa capacidade muitos proclamam o Direito como ciência… No mundo das ideias, juristas, juízes, advogados, e chefes bem mandados escrevem como se estivessem esculpindo pedras brutas em formato de diamantes ou transformando pirita em ouro, para provar que realmente o Direito ciência deva ser. Nesse mundo fictício, são formados muitos alquimistas esquizofrênicos… Já no mundo de seres viventes, entre cascalhos, espontaneamente sem um só escrevente vai se provando que Direito significa fé. E sem trabalho todos dessa turma elencados são sacerdotes bem sucedidos… Porque, naturalmente, se acredita que burocracia e leis tendem ao bem coletivo. E naturalmente vamos acreditando… já que nascemos na sociedade em que nossos pais assinaram esse contrato, e antes deles outros tantos, naturalmente nos tornamos também partes cumpridoras de uma lista de deveres e quando merecedores, fruidores de direitos de outra lista. Uns entenderam tão bem o princípio em que a fé anima esse contrato… que se aproveitaram da confiança contratada e conseguiram habilmente curvar a reta. Eram os bem maquiados falsos profetas, ilusionistas especializados em ilusões óticas jurisdicionais, não mais no mundo das ideias, mas no real. São como macacos vigias espertinhos emitindo o aviso de predadores para que outros macacos apenas abandonem suas comidas. Seguem com êxito cativando os homens de fé os falsos profetas desvirtuadores da boa intenção. E tagarelas com vários sinais de alertas se puseram a encher folhas de papéis com o que seria tão bonito quanto uma flor no vaso, um pássaro na gaiola ou um rio represado. O primeiro sinal de alerta foi dado quando pela justificativa de desenvolvimento, empresas podiam aqui se instalar com muitas garantias e nenhuma preocupação com o meio ambiente.

Hoje TV, rádio e internet são a mata que ecoa o sinal de alerta para economizar água. A empresa responsável por encher nossas caixas d’água pediu parcimônia e estabeleceu rodízios de abastecimento. Muitos banhos a conta gotas quando muito. Quando pouco não tomados… Até idas ao banheiro postergadas por falta de água na descarga do vaso sanitário. Por sermos cristãos, não xingamos nem Deus, nem os santos. Por sermos pecadores, achamos ser nós mesmos os culpados. E por sermos pacatos, aceitamos o rodízio.

Os rios há muito tempo eram nossos. Acostumamos a fazer deles o nosso esgoto. Felizes estávamos por domar o ambiente como o Senhor nos havia recomendado e presenteado. Era natural que a natureza nos servisse, interpretamos o Gênese a nosso bel prazer, como os falsos profetas defendem e fazem leis. Era muito natural um papel transformar um rio em esgoto. Era muito natural obedecer a rodízios. Todos têm direito ao meio ambiente. E, como corolário, o direito de domá-lo. Deveria ser natural uma represa na nascente. E o mundo de eucalipto em volta. Todos devem estar cumprindo o combinado.

Depois do trabalho, cansada, esperando e torcendo para o relógio soar meia-noite e chegar a água para eu poder tomar banho, sentei-me à mesa e li a manchete. Parece que o Ministério Público quer suspender um papel que transformou o rio que me banhava em copasa para eucalipto. A água para humanos era a sobra da água dada a eucaliptos. Apenas a sobra… Mas, como poderia ser dada essa outorga? Se não consenti isso no contrato de que fui parte? Lembrei-me que havia visto no Google Maps a nascente, a represa e a floresta de carvão para a indústria. A lembrança se fez espelho e me refletiu como um aborígene do século XV que viu sem enxergar as caravelas chegando ao novo mundo… O novo e o absurdo lhe eram invisíveis… Achou normal a vista. Como a parte que me daria a fruição de direitos agora tira de mim a própria água? Como haveria tão monstruosa madeira sobre as águas se nunca havia visto nada além de água e nuvens no horizonte? Eu era aquele cego aborígene. Tinha olhos e não via… Foi então que ouvi o sinal de aviso de predadores e me pus a correr como a todos. Eu era um primata enganado por outro primata. Li a matéria jornalística à noite, mas durante o dia não houve leitores? Poderíamos juntos ter saído às ruas e cobrado explicações. Em uma grande manifestação de descontentamento como a que Moisés liderou!… Bateríamos mais de uma vez na grande pedra e reclamaríamos água, como o verdadeiro profeta fez no deserto! Precisamos saber se, com o respaldo da própria burocracia! se mata a sede de apenas uma pessoa não humana! com a água que deveria ser dada à gente de carne e osso. Mas, as ruas estavam quietas. Não havia nenhum manifestante informando aos incautos do estranho caso da outorga da Plantar. Todos estavam retos em seus trabalhos esperando e rezando que à noite se pudesse tomar banho…

Fora dito à população que água era só para consumo humano. Que nem se podia molhar o jardim. Acreditou-se que o trato era tanto para pessoa humana, quanto para pessoa jurídica. Mas, um papel dava à pessoa que existe apenas em outro papel! e que não tem sede como nós! o maior direito à água! Legalmente ao papel foi dada nossa água. Todos acreditam na necessidade de economizar. Pois não se chove! Até de carne dever-se-ia fazer jejum, já que boi consome muita água. Comer um bife é uma espécie de banditismo, estar à margem do combinado na sociedade. E o combinado é economizar água. Mas o macaco vigia deu um falso alarme. Em quem confiar? E se o predador for real e não acreditarmos? Olho o mar límpido, água e nuvens, mas quantas caravelas exploradoras estou deixando de enxergar? Sou um primata enganado. Sou também um aborígene cego de olhos sãos. Se ao menos a pessoa jurídica fosse uma reflorestadora que cuidasse da mata ciliar desde a nascente, que cuidasse do rio como um filho cuida dos negócios do pai. Mas na bíblia dessa pessoa não existe a palavra cuidar, a bíblia dela era como a nossa que traduziu assim o Genesis 1-26: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” Domine… Não cuide. Tais como nós pessoas humanas, são as pessoas não humanas inventadas por nós. Nem seria preciso um falso profeta para dar como certa uma outorga hídrica de construção de barragem e captação de água à beira de uma nascente, simplesmente para irrigar uma floresta de carvão. Com uma captação de água quinze vezes maior que a concedida para duzentas e sessenta mil pessoas humanas! a pessoa não humana reproduz nossa ignorância em dominar a natureza. Duzentos e sessenta mil fiéis de joelhos adorando e servindo a um monte de madeira. Idólatras no deserto…Duzentos e sessenta mil crédulos e confiantes na outorga de direito de uso ou interferência de recursos hídricos. Tantos fiéis ao Direito… Quantos deles fiéis ao bem comum? Coragem diria o bom Deus! O novo e o absurdo existem, apesar de nossas retinas fatigadas. Abramos os olhos da alma.


Fontes:






quinta-feira, 18 de abril de 2013

Há sonhos que podem virar pesadelos

Li, recentemente, que a Prefeitura de Montes Claros, sob administração do atual prefeito, Ruy Muniz, quer realizar um sonho de 40 anos da população montes-clarense. Pois bem, eu fiquei imaginando aqui comigo, já que estou a vias de completar os meus 40, que esse sonho deveria ser o sonho do meu pai ou de pessoas que hoje estariam com idades entre 55 a 65 anos. Realmente, pelas fotos de família que temos e pelas estórias que meu pai contava, ele foi um jogador de futebol, do qual recebeu o apelido de índio, por ter o cabelo comprido na época. Talvez o estádio do Mocão fosse um sonho que ele contemplara no passado. Mas acredito que esse sonho tenha se desvanecido com o avanço da sua idade. O tempo, que é implacável com todos nós, fez com que meu pai e tantos outros, que viveram esse sonho de ter um estádio em Montes Claros, parasse de jogar bola. Hoje meu pai não joga nem peteca.

A realidade da Montes Claros atual é bem diferente da Montes Claros de 40 anos atrás. Acredito que é louvável investir em esporte, lazer e cultura, para incentivar jovens ao convívio social, tirando-os ao mesmo tempo das ruas e da criminalidade. Mas fico me perguntando: será que atualmente precisamos de uma obra como o estádio do Mocão? Uma, porque talvez vivemos 40 anos dormindo um sonho letárgico. Outra, porque antes talvez houvesse mais segurança e as famílias podiam ir aos campos de várzea assistir aos jogos. E eram nestes campos de várzea, onde realmente surgiam os verdadeiros craques. Mané Garrincha foi um grande exemplo. E de que adianta um estádio como o Mocão, se não estamos formando jogadores atualmente?

Será que não corremos o risco de ter um estádio fantasma? Porque então no lugar de uma construção como esta, não construirmos mais praças de esportes? Já disse aqui, em outra ocasião, que Montes Claros necessitava de pelo menos outras quatro “praças de esportes, lazer e cultura”. O governo federal vem disponibilizando recursos para a construção de praças de esportes através da segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que agora recebe o nome de Centro das Artes e Esportes Unificados (CEUs). E de acordo com o site do governo “o objetivo das CEUs Centros de Artes e Esportes Unificados é integrar num mesmo espaço físico, programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços sócio-assistenciais, políticas de prevenção à violência e inclusão digital, de modo a promover a cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social das cidades brasileiras.” Ou seja, numa única área seriam atendidas várias necessidades da população e num mesmo espaço ou numa mesma sala, poderia dar vários usos, criando espaços multiúsos.

Pelo que pude observar, com o custo estimado do estádio do Mocão, poderíamos ter debaixo dos céus de Montes Claros outros dez CEUs. Então porque não construir mais praças de esportes, revitalizando as praças antigas e dando garantias para que todos pudessem praticar esportes e atividades de lazer e culturais? Porque não construir mais postos de saúde e mais escolas, no lugar da realização desse sonho antigo, que talvez nem seja mais o sonho da Montes Claros atual? Ou que ainda que seja o sonho de muitos, mas que com certeza esses mesmos “sonhadores de 40 anos” talvez devam ter também outros sonhos, mais atuais, mais prioritários. De que adiantaria formarmos jogadores, se estes por acaso viessem a estar em campo, com certeza estariam com suas preocupações voltadas para a família. Acabo de ver uma reportagem onde pessoas dentro de um precário posto de saúde, aguardavam debaixo de chuva para serem atendidos, já que chovia dentro do próprio posto de saúde. Sim, caros leitores, chuva forte caindo dentro de um posto de saúde de Montes Claros. Dava até a impressão de que chovia mais dentro do posto de saúde, do que do lado de fora. Podemos novamente perguntar: com que tranquilidade algum jogador iria se apresentar para o jogo, ao saber que na noite anterior a chuva e o barro invadiram sua casa, destruindo vários bens materiais adquiridos ao longo de uma vida?

Se o prefeito conseguir realizar outras prioridades que a população de Montes Claros vêm clamando diariamente (de manha, a tarde e a noite), quem sabe assim ele não consiga créditos para uma reeleição e talvez ai neste segundo mandato, ele não consiga então concluir esta obra que, sem dúvida alguma, será muito importante para Montes Claros. Mas a Montes Claros de hoje com certeza precisa que outros assuntos sejam realizados primeiramente. Na verdade, acredito que Montes Claros necessita que várias medidas urgentes sejam tomadas em benefício do município, para que a população volte a sonhar novamente. Parece que sonhar era privilégio de uma Montes Claros de quarenta anos atrás. Hoje, só o fato de conseguir ter uma noite de sono tranquila, já é uma grande vitória. Ter noites de silêncio e paz, já parece em si um sonho para a população da Montes Claros atual.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resposta para Márcia Vieira, mensagem 69562 do jornal montesclaros.com



Minha cara Márcia Vieira, o que você chama de engraçado, tenho que dizer que para mim é trágico e lamentável! Plebiscito sim existe e é possível, ainda que te pareça raro e engraçado. Não me conhecendo, portanto você não pode afirmar ser conhecedora dos reais motivos que me fez vir a conhecer outros povos e outras culturas. Apenas para avivar sua memória, Montes Claros é marcada por gente que após afastar-se da cidade e não, nunca, abandoná-la, lutou pela cidade e honrou seu nome mais do que nunca. Darcy Ribeiro é apenas um exemplo.

Você pergunta: Porque não voltam a viver aqui então? E eu te respondo, não vejo a hora! Só não voltei ainda porque eu e minha esposa estamos concluindo alguns cursos. Você afirma que muitas das coisas não podemos perpetuar e que o lugar de guardar é a memória. Mas ai eu te pergunto: para que há bibliotecas? Museus? Para que se tomba um patrimônio histórico? 

Em seu texto, imbuído de preconceito, você quer me colocar na posição de entravador do progresso da cidade. Se tivesse tido ao menos o cuidado de ler outros textos que escrevi neste mural, deveria ter notado que minhas ideias são progressistas e não retrógradas. Sei que nem sempre elas coadunam com o pensamentos de todos, mas aqui é um espaço democrático, onde ideias estão para ser discutidas, você não acha? A sua comparação com a Praça de Esportes e a máquina de escrever foi outro exemplo inapropriado,  inoportuno. 

Seus conceitos de passado, história e memória, se mesclam e se confundem. Sendo assim, devemos então esquecer de nossas mães só porque tivemos nossos filhos? Estudar e preservar o passado, é compreender o presente e se preparar para o futuro. Ou como bem disse Mario Quintana: "O passado não reconhece seu lugar: está sempre presente." Volto a fazer uma pergunta de comparação: por acaso o filho deixa de ter mãe, só porque afastou-se da casa dos país?

E para finalizar, você diz: “Para que tanta discussão em torno de uma decisão que é viável, acertada...” Mas eu pergunto: Viável para quem? Acertada por quem? E você continuou: “... e bem-vinda por grande parte da população?” E eu pergunto, será? Então houve o plebiscito? Se houve, quero dizer aqui que minha família e amigos próximos, residentes em Montes Claros, ficaram de fora e não votaram! Ou será que por serem meus familiares e amigos também foram excomungados da SUA cidade?

domingo, 13 de novembro de 2011

11/11/11


Somos cercados de misticismos e em certas datas somos bombardeados com estórias de "fins-de-mundos" ou eventos apocalípticos. Porém foi precisamente neste místico dia 11/11/11, coincidentemente ou não, que Waldir Senna Batista me possibilitou tomar conhecimento da triste notícia do fim, não do mundo, mas da nossa Praça de Esportes.

E logo em seguida tivemos um lindo e belo exemplo de cidadania vindo de longe, lá do Rio de Janeiro, de nosso amigo e admirador de Montes Claros, José Prates, mais montesclarense do que alguns nascidos aqui nesta terra. E ele começa seu alerta assim: “É Inacreditável porque parece mentira, a notícia de que, governantes montesclarenses num desrespeito à história da cidade, pretendem vender parte da velha Praça de Esportes para custear obras da Prefeitura. A notícia nos veio pela crônica de Waldir Senna, publicada neste Mural.” Confesso que também fiquei perplexo com a notícia!

E em poucas horas após os textos destes dois senhores chegarem à redação do montesclaros.com, chega uma nota de nosso Prefeito Luiz Tadeu Leite, confirmando como verdadeira a trágica notícia do dia 11/11/11. Fiquei muito triste em saber disso. Ali neste espaço, tive momentos agradáveis que ainda vive em minha memória, como os passeios organizados pela E. E. Francisco Sá nos levando para tomar banho nas piscinas. Também foi na Praça de Esportes que tive minhas primeiras aulas de Judô e ali posteriormente disputei vários campeonatos, como os da OLIBAMOC.

Senhor Prefeito, acho louvável que venha a seguir os ditames da sua própria consciência. Espero que possa ter então noites de sono profundas, tranquilas e reparadoras. Porque é somente nestes tranquilos e raros momentos de paz que escutamos melhor a nossa consciência. Espero profundamente que o senhor possa fazer, nos últimos dias que ainda lhe restam de seu mandato, obras dignas para o nosso povo. E caso não consiga, que ao menos lute para conservar as que já estão feitas.

Montes Claros precisa sim de teatros, de campos de futebol, de bibliotecas informatizadas e com boas obras, de acesso gratuito à internet em vários locais públicos da cidade, de áreas verdes para os pais passarem as tardes com seus filhos, de terminal urbano de ônibus e outro terminal rodoviário, de ciclovias onde se permitam andar de bicicleta, de passeios onde os pedestres possam andar tranquilos. E Montes Claros precisa definitivamente de pelo menos outras TRÊS PRAÇAS DE ESPORTES, com espaços superiores e infraestrutura melhorada da que já existe. Talvez o senhor não consiga fazer nada disso de que a nossa cidade precise, mas conservar o que já temos, já está de bom tamanho.

E se realmente houver um plebiscito, onde o povo de nossa cidade seja ouvido sobre estas mudanças, gostaria de dar aqui, antecipadamente, o meu voto. Meu voto é: NÃO!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Fascínio das Serras

A serra sempre nos causou um certo fascínio. No passado e ainda nos dias atuais, sobe-se no lugar mais alto de um monte e lá coloca-se uma cruz, talvez para pedir proteção, por estar mais próximo do céu, talvez para afastar visitantes maus intencionados, que de longe avistam uma comunidade cristã. Reis também costumavam construir seus castelos em cima dos montes. Tibetanos dão aos seus montes, nomes de deuses.

Para nós os montes são claros. Vivemos cercado deles e a este conjunto damos o nome de serra. Blocos de pedras que se erguem no meio das planícies. Quanta exuberância! E quanta coisa ainda por descobrir. Também tenho fascínio pelas montanhas e em partes devo isso à Eduardo Gomes, que me ensinou ver a beleza completa de nossas serras, a beleza exterior (no montanhismo, escalando os paredões de rocha) e também a beleza interior (na espeleologia, descobrindo estalactites e estalagmites). E no final de cada passeio, gritávamos sempre: MONTANHA! Depois fui aventurando-me pelo Vale do Peruaçú próximo a Januária, Chapada de Diamantina na Bahia, Monte Fuji no Japão ou Machu Picchu no Peru.

Somado-se a isso que já foi dito, resta ainda dizer que são as montanhas as gestoras dos mais importantes rios do mundo. As águas, dos mais importantes rios do mundo escolheram as montanhas para ali nascerem. E são seus cursos de águas, geradores de beleza e riqueza, capazes de abrigar as mais diversas espécies. Já pensou o que seria do maior rio do mundo, que é o amazonas, sem as Cordilheiras dos Andes? Ou o rio São Francisco sem a Serra da Canastra? O que seria a vida de milhões de pessoas e de outras especies de animais e vegetais?

Esperem lá, depois de tudo o que foi dito sobre a Serra, se fosse eu corrompido por interesses pessoais, diria que tive um surto de memória, e que iria voltar atrás. Daria um discurso mais ou menos assim: é claro que nossa Serra do Mel é uma doçura. E quantos nela não querem se lambu$ar? Montes Claros, uma terra castigada pelo sol e com pouca área verde em sua zona urbana, parece que o jeito mesmo vai ser urbani$ar a serra. E isso terá que ser feito da melhor forma possível, que é desapropriando um parque público e criando áreas particulares. Assim atrairemos investidores de fora, porque lá fora é que esta o dinheiro. E se vierem os ambientalistas dizendo que na Serra há várias espécies de pássaros que precisam ser protegidos, diremos que aquilo lá são insetos, que são mosquitos da dengue. E se afirmarem que lá há nascentes de rios, diremos que aquilo não passa de um charco. E se esses ambientalistas vierem com frases de que devemos proteger a Serra, perguntaremos, que Serra? Pois aquilo não passa de um acidente geográfico.

Aposto que a população de Montes Claros conhece pessoas com discursos melhores, não é mesmo?

sábado, 7 de maio de 2011

Nossa Mãe.

Temos a informação de que no plano espiritual o ser escolhe a família na qual irá nascer. Sendo esta família portanto a responsável pelos primeiros cuidados, pelas primeiras lições de vida e educação. No plano material e mais especificamente no campo político, nós escolhemos quem irá nos governar. Portanto escolhemos quem nos governará diante dos percalços da vida, escolhemos quem cuidará dos nossos interesses, quem nos dará lições através de bons exemplos e quem cuidará da nossa boa educação e formação. Sim, em ambas situações as escolhas são nossas e são democráticas.

A mãe verdadeira quer o melhor para seus filhos e luta para dar o melhor alimento, a melhor educação, o conforto e o carinho de um lar a todos os seus filhos indistintamente. E quando um filho se transvia do caminho por ela estipulado? Muitas vezes sofre calada, por um sentimento de culpa e remorso e anda cabisbaixa de vergonha. Alguém conhece alguma mãe que diria palavras como “bem feito, mataram meu filho porque ele estava metido no trafico de drogas e já tinha várias passagens pela polícia”? Caso encontrem alguma, será um caso raro e que merecerá a atenção de psicólogos e psiquiatras.

No entanto a nossa mãe política ou nosso pai político, faz justamente o contrário daquilo que esperamos deles. Não dá atenção, não dá amparo, não dá exemplos e quando morre um de seus filhos vítima do tráfico, sai gritando aos quatro cantos que seu filho era traficante e que tinha várias passagens pela policia. A nossa mãe está doente e precisa de tratamento. Não consegue ver que tem que lutar pelo direito à vida e não propagar a morte. A nossa mãe está surda e não consegue ou não é capaz de ouvir o choro eloquente de seus filhos.

Na atual situação a que chegamos, meus queridos irmãos montesclarenses, posso dizer sem a menor sombra de dúvida que somos filhos órfãos, devido a incapacidade de nossa mãe de agir, de ouvir, de tomar conta de nós e de tomar decisões acertadamente. Mas podemos escolher uma nova mãe para tomar conta de nós e neste caso a adoção parece ser o melhor caminho. E quanto às mães verdadeiras, que elas continuem exercendo maravilhosamente bem o papel grandioso que a elas cabem. E que não percam as esperanças, porque dias melhores virão. Parabéns pelo seu dia queridas mães!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Internet de 1Gbps. Será que a Lei de Moore se aplica à Montes Claros?

A lei de Moore, foi criada em 1965 pelo americano Gordon E. Moore, na época presidente da Intel. Ele previa que os processadores dobrariam sua capacidade de processamento e que teria seu custo reduzido pela metade num prazo de 18 meses. E foi o que vimos ocorrer de lá para cá. Alguns preveem o fim desta lei, devido ao tamanho muito reduzido a que chegaram os micros processadores ou devido a substituição por uma outra nova tecnologia.

Mas o que quero frisar aqui sem perder a linha de raciocínio, é que em 18/10/2008 (há dois anos atrás) escrevi para o montesclaros.com um texto com o título “ESTAREMOS TODOS CONECTADOS!?”, onde citava internet de 20Mbps o que parecia uma utopia para a realidade da época (ou ao menos para nós montes-clarenses). Justamente um ano depois em 15/10/2009, escrevi outro texto “Veloz Cidade... Velocidade... Será?” onde fazia criticas quanto a baixa “Veloz Cidade” da internet e dos altos preços praticados na cidade de Montes Claros. Citei, na época à titulo de comparação, preços de R$20,00 ao mês por uma internet de 8Mbps, que eram praticados em Londres.

E o que mudou depois? Pois bem, hoje temos uma super banda-larga de 1Gbps (um Giga bits por segundo ou 1000 Mbps) a um custo de US$26,00 ao mês, o que daria algo em torno de R$43,42 apenas. Estou falando da cidade de Hong Kong e do provedor City Telecom (H.K). Acredito que talvez seja mais barato do que 1Mbps fornecido pelos provedores de Montes Claros. Estou certo?

Será que da para ver o abismo no qual estamos caindo? Será que nossos governantes não percebem que estamos nadando contra a mare, ou seja, contra a lei de Moore? E que isso traz grandes impactos sociais e econômicos para a nossa gente? O que faremos quando necessitarmos de engenheiros especializados em fibra óptica? Engenheiros de multimídia? Como faremos quando nossos executivos necessitarem comparecer a uma reunião online? Ou quando forem atualizar seu conhecimentos através de webnarios?

Se continuar assim, estaremos (des)conectados do mundo. Seremos um bando de analfabetos a nos vangloriar de termos a eleição mais rápida do mundo. Neste quesito, conseguir os votos dos eleitores, nossos políticos conseguem agir à velocidade de 1Tbps e quase que gratuitamente, quase.(1Tbps = 1.000.000.000 Kbps – onde Kbps é ainda a unidade de medida da velocidade de internet, conhecida pela ínfima população de Montes Claros que consegue ter acesso à internet).

terça-feira, 6 de abril de 2010

Londres, São Paulo e Montes Claros.

Um ponto de vista diferente da mensagem 56833 de Isabel Maria.

Antes de vir a Londres já sabia de antemão que esta seria a cidade mais cosmopolita do mundo, ou seja, uma cidade que sabe acolher as diferentes culturas e pessoas de todas as partes do mundo. E para a minha agradável surpresa quase tudo aqui funciona relativamente bem. É claro que aqui também há problemas como qualquer outra capital do mundo.

Porem acredito que a Senhora Isabel Maria tenha passado por algum mal entendido, uma situação fortuita, algo não muito comum por aqui. Mas isso não quer dizer que seu pensamento expresse uma verdade abrangente. Londres sendo uma capital, que poderíamos dizer também capital da cultura, das relações comerciais, etc, com certeza recebe e irá receber pessoas de todas as partes do mundo. Muitos aqui vem à passeio e outros à fixarem residencia. É, talvez em Londres já não se fale aquele inglês puro sem sotaque.

Não ocorre o mesmo com São Paulo? Esta cidade não recebe gente de todas as partes do Brasil? Também não foi lá que chegaram e que continuam a chegar, Japoneses, Judeus, Italianos, Espanhóis, Portugueses, Libaneses, Coreanos, Chineses, Bolivianos, Colombianos, etc? É, talvez em São Paulo já não se fale português com aquele sotaque paulistano.

E quanto a nossa querida Montes Claros? Não é uma referencia para o Norte de Minas? E também para o Sul da Bahia? E agora se tornando uma Cidade Universitária, não estará vindo gente de outras cidades e quiçá de outros estados? É, talvez em Montes Claros já não se fale português com aquele sotaque norte-mineiro.

Mas linguagem é isso, um processo vivo, mutável. Talvez ocorrendo o mesmo com a música. Já notou que o Fado Português também já não é mais o mesmo? Podemos ate ter um saudosismo de Amália Rodrigues, que é bem natural que isso ocorra, mas quem canta fado em Portugal hoje em dia é Marisa dos Reis Nunes ou simplesmente Mariza, que é Moçambicana diga-se de passagem.

E por ultimo a senhora pergunta: “Onde estarão os verdadeiros Ingleses? Voltem, por favor! Londres, sem vós, já não é o que era.” Não estariam eles nas cidades do interior do país? Ou quem sabe no Algarve, Estoril e Cascais (Portugal)? Poderiam estar nas Ilhas Canárias, Mallorca ou Marbella (Espanha). Sempre fugindo do frio, da chua e da falta de sol que há por aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

DDU – Disque Denuncia Unificado

“O homem que sabe servir-se da pena, que pode publicar o que escreve e não diz a seus compatriotas o que entende ser a verdade, deixa de cumprir um dever, comete o crime de covardia, é mau cidadão” - Júlio Ribeiro

Baseando nas palavras deste que foi um dos grandes escritores e filósofos brasileiro e mineiro como nós, gostaria de pedir à população de Montes Claros que continuem a acreditar que suas denuncias irão ser ouvidas. Que nossos representantes, em seus momentos de calma, saberão ouvir a voz que clama por auxilio.

Sei que não temos muito o hábito de reclamar, muitas vezes acreditando que não dará em nada e outras vezes por pura e simplesmente não sabermos que poderíamos ter reclamado. E mesmo para aqueles que não querem ou não sabem fazer uma denuncia escrita, existem outras alternativas e uma delas que gostaria de comentar é o disque denuncia.

O Disque Denuncia é uma forma gratuita e anonima de se denunciar. E pelo que tenho observado, seus resultados estão sendo bastantes positivos. Nas cidades onde ela vem sendo empregada, há uma redução significativa dos crimes cometidos, evitando também outros danos maiores.

Para aqueles que quiserem obter uma maior informação ao respeito, recomendo o acesso ao link ou assista ao vídeo abaixo:



sábado, 19 de setembro de 2009

Andando pela contramão.

A placa sinalizava perfeitamente: Sentido proibido! No entento ele, que aqui chamaremos apenas de condutor, resolveu seguir adiante. Foi alertado por alguns que diziam: “moço o senhor está na contramão”, mas ele nem tchum. Outros buzinavam e o nosso condutor parecia surdo.
Não obstante as vozes que tentavam alerta-lo, ele seguia desviando de um carro aqui e de um pedestre acolá. Seu fito parecia único, cortar caminho. E antes que uma tragédia maior pudesse suceder, topou ele com um camburão da polícia. Logo se descobriu que o condutor não era habilitado a conduzir. Resultado: multa e apreensão. Talvez seja até compreensivo agora entender que ele não entendia nada de sinalização.
Mudando agora de P pra C, é isso mesmo o que muitos pensaram, cacete é o que irá levar a população de Montes Claros, mais uma vez no lombo calejado. Parece que o nosso condutor ou nossos condutores, aqueles que conduzem a nossa cidade, resolveram pegar um atalho, andando também na contramão. Quero dizer, na contramão das cidades que prezam a qualidade de vida dos seus moradores. Aqui, parece que a contramão é que é a mão certa.
Será que mais uma vez o nosso condutor, irá se fazer de surdo apesar do clamor da população, que pode ser simples, pobre e sofrida, mas que não perdeu a dignidade e a lucidez? Será que ele não vê, não sabe ou simplesmente ignora? O que virá depois: a tragédia ou irá topar com as autoridades competentes?
Destruir áreas verdes, será esse o atalho para o melhor caminho? Sabemos que não. Caso a cegueira prosital seja maior que o descortinar de uma visão clara e ampla, sugiro que os dirigentes deste respeitável jornal eletrônico, comecem logo reservando o dominio “www.montescinzas.com um olhar sobre o concreto”, é o que irá acontecer com a nossa cidade e sem sombras de dúvidas, tenho isso por concreto.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

V.E.L.O.X. Veja Esta Lentidao, Obrigando-me a Xingar.

Quem nunca xingou o computador? E muitas vezes, a maioria das vezes quero dizer, a culpa nem eh do computador e sim da empresa que fornece uma conexao de internet. E ha alguns que vao mais alem do xingar, como esmurrar o teclado, puxar violentamente o mouse ou joga-lo contra a parede. E para alguns casos mais extremos, tem gente que literalmente joga o computador no chao ou pela janela.

Mas a minha intencao aqui nao eh falar da violencia sobre utensilios informaticos. E sim de um abuso que fere os direitos do consumidor. Aqui na Europa, empresas provedoras de internet estao obrigadas a fornecer nos horarios de pico, onde o trafico de internet se torna mais congestionado, pelo menos 50% da velocidade contratada. Ou seja, para quem tem um contrato de 4Mbps, esta velocidade nunca podera ser inferior de 2Mbps. Eh o caso de paises como Portugal e Espanha. Ja em Londres, a coisa eh um pouco melhor. A velocidade contratada tem que ser a velocidade fornecida. Mas ha alguns casos que se aceita uma tolerancia de 20% nos horarios de pico.

Em casos de manutencao, sempre existe um aviso previo disponibilizado na pagina da empresa, citando o dia e a faixa-horaria dos servicos de manutencao. Geralmente leva algumas horas a manutencao, mas nunca dias ou semanas. E nao seria vantajoso para as empresas, porque descumprindo o servico, estaria quebrando o contrato do servico prestato, levando clientes a migrar para outra empresa e ainda a receber uma indenizacao, pelo descumprimento.

Mas como fazer em casos como o de Montes Claros, onde nao existe um leque de opcoes de provedores de internet, ficando a merce de um monopolio injusto? Quero fazer aqui uma comparacao ao fio de barbante, que sozinho eh facil de ser quebrado. Ja o mesmo nao podemos dizer quando juntamos varios fios barbantes. Eu estou meio por fora dos precos praticados ai na cidade, mas acredito que reunindo um numero de 100 a 200 internautas descontentes, seria o suficiente para, ao invez de pagar para um provedor que nao cumpre suas obrigacoes, esse dinheiro poderia ser aplicado para a contratacao dos honorarios de um ou uma equipe de bons advogados, que brigaria dentro da lei para defender seus direitos.

Ou uma outra forma seria uma carta ou abaixo-assinado, direcionada a empresa provedora de acesso de banda larga. Bastaria uma ameaca de inadiplencia de umas 200 pessoas, para que os responsaveis da empresa passassem a olhar para este problema com um maior carinho e cautela. No meu ponto de vista, seria muito melhor ficar 2 ou 3 meses sem internet, como uma forma de protesto, do que pagar para ter um servico e nao te-lo, ou ter em uma pessima qualidade. Pensem nisso: “o poder de escolha estao com voces”.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Os "doidos" de outrora.

(Devido ao uso de um teclado fora do padrao portugues, algumas palavras ficaram sem a sua devida acentuacao. Desculpem-me por isso e sintam-se livres para uma devida correcao)

Eh lamentavel ter que ler diariamente noticias tao tristes da minha querida e saudosa Montes Claros. Terra onde nasci e me criei. Relembro que quando era pequeno, ficavamos assustados com alguns “doidos” que tinhamos na cidade e de tao pouca quantidade que era, se podia contar nos dedos das maos. Mas eram “doidos” inofensivos, que so te faziam mal se voce mexesse com eles e poderei citar aqui os apelidos que eram conhecidos, pois acredito que ditos seres ja nao se encontram mais entre os viventes montes-clarenses, para o bem deles. Eram eles: Galinheiro, Requebra, Risadinha, dentre outros.

Parece que os doidos de hoje assustam muito mais e o que eh pior, eles sao desconhecidos ou passam desapercebidos. Os doidos de hoje usam armas e de bom calibre. Os doidos de outrora usavam pedaco de pau ou um bom calhau. Estes doidos de antes, por vezes nos assustavam sim e as vezes nos faziam rir, quando encaravamos as nossas peraltices como um jogo de policia e ladrao, onde buliamos com eles e logo de imediato tinhamos que fugir em disparada. Mas os doidos de hoje, nos assustam. Nos roubam o sono e nao somente o sono. Nos fazem entrar em desespero. Nos tiram a vida. E tao pouco nao podemos brincar como antes, porque neste jogo nao esta bem definido quem eh a policia e quem eh o ladrao. Quem deveria perseguir, corre e quem deveria correr, persegue.

Minha mae costuma dizer: “ Lugar de doido eh no hospicio”. Mas sera que haveria hoje lugar para tantos? O sistema penitenciario, que deveria ser encarado como um meio de exclusao, lugar para redimir, faz justamente o contrario. E as estatisticas demonstram que quem tem uma passagem pela policia volta a reincidir nos atos criminosos.

Fazendo apenas uma analogia, Londres uma cidade com aproximadamente 8 milhoes de habittantes, teve 17 assassinatos, sendo a maioria deles perpetrados por armas brancas. E as autoridades estao preocupadissimas com o incremento da violencia. Montes Claros, com uma populacao de menos de 400.000 habitantes, 20 vezes menor, teve ate os dias de hoje quase o triplo de assassinatos. Aqui as pessoas cobram. E o governo tem que dar uma resposta. Caso contrario, teriam eles que aturar as manifestacoes, como minimo.

Talvez seja a hora de agirmos. Acordem meu povo! Exijam! Manifestem-se! Voces pagam seus impostos? Entao cobrem seus direitos. Nao adianta armarmo-nos ate aos dentes, porque violencia gera mais violencia. Se a populacao eh participativa e proativa, todos terao a ganhar. Invistam mais em educacao. Sejam voluntarios. Eduquem e reeduquem-se. E que os doidos de hoje em detrimento dos doidos de outrora, caiam em nosso olvido.